Brasil, SP, , , |

Ajude a FCCC a combater os fenômenos do Sul e Sudeste. Para ajudar nas operações da Fundação nesses locais, você pode colaborar de duas formas:

Artigos

O Globo

Foguete finalmente sobe, mas carga desaparece

20 de julho de 2007

Depois de dois anos de preparação e sete tentativas frustradas de lançamento, terminou ontem, no fundo do mar, a odisséia do foguete brasileiro VSB-30. O naufrágio do módulo de carga útil, que levava nove experimentos científicos e não foi localizado após a queda, pôs por terra os esforços da Operação Cumã II. Com R$2,3 milhões gastos apenas na cápsula, a missão era considerada o maior passo do programa espacial brasileiro desde agosto de 2003, quando um acidente com o foguete VLS-3 matou 21 técnicos em Alcântara, no Maranhão.

Quando os relógios do centro de lançamento marcaram 12h14min, cerca de 300 militares e civis comemoraram a decolagem. No decorrer da tarde, a euforia deu lugar à angústia. Programados para durarem uma hora, os trabalhos de resgate se prorrogaram até o pôr-do-sol. Às 18h30min, a Aeronáutica decidiu dispensar a equipe, que envolvia dois helicópteros, dois aviões Bandeirante e um navio da Marinha. O coordenador-geral da operação, tenente-coronel Fausto Ivan Barbosa, foi o porta-voz da desistência.
– Não há mais nenhuma chance de encontrar a carga útil. A maior probabilidade é de que o módulo tenha afundado – afirmou.
O VSB-30 deveria ter caído a cerca de 165 quilômetros da costa maranhense. Mas o equipamento de localização, que emitiria sinais por ondas de rádio para os aviões, não funcionou. Em meio ao constrangimento com o naufrágio da carga, que levava experimentos para testes em microgravidade, Barbosa tentou atenuar os impactos do fim inesperado da missão.
– Seria errado falarmos em fiasco. É uma operação muito grande e muito difícil de ser atingida – disse.

Pedido de ajuda para o além

O sistema de pára-quedas da cápsula não teria funcionado, disse o oficial. Na quarta-feira, o comando da Cumã II anunciou a troca do coordenador da operação de resgate – justamente a que comprometeu o resultado do lançamento. O major Anderson de Oliveira e Silva Júnior substituiu o tenente-coronel Fernando Ventura. A Agência Espacial Brasileira (AEB) atribuiu o afastamento de Ventura a problemas em sua agenda.
Apesar do naufrágio, partes de quatro experimentos foram salvas por acompanhamento de telemetria. O vôo do VSB-30 durou 19 minutos, um a menos do que o planejado, e a cápsula permaneceu em ambiente de microgravidade durante seis minutos e 12 segundos. Programada para o último dia 10, a decolagem do VSB-30 sofreu sete adiamentos por causa do mau tempo, e a Aeronáutica chegou a mudar a inclinação do lançamento para reduzir os efeitos do vento sobre o vôo.
Ontem à noite, a Fundação Cacique Cobra Coral divulgou em seu site que a médium Adelaide Scritori, que costuma prestar serviços ao prefeito Cesar Maia para evitar chuvas em Copacabana na noite de réveillon, foi procurada pela AEB para afastar os ventos de Alcântara. Funcionários da agência confirmaram o contato, mas disseram que o pedido de ajuda foi apenas informal. A fundação informou que o trabalho da médium não incluía a localização da carga.

NF: A FCCC mantem um Convênio Operacional com a Prefeitura do Rio de Janeiro e diversos Estados.

Fonte:

Ciência - Bernardo Mello Franco / O Globo
Compartilhar: